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Vale a pena ler.
Eu não entendo pessoas que distribuem ódio de graça.
Sabe, o que eu fiz pra você? As pessoas são tão imensamente burras, com frases de embalagem de bala do tipo “você fica julgando os outros e não para pra se julgar” mas sabe? Quando foi que você se julgou? Quando foi que você parou pra pensar no por quê de ser tão preconceituoso, de ficar rindo baixinho com seus amigos sobre a vida dos outros ou de coisas piores, como deixar de ser amigo de alguém após fazer uma análise mais aprofundada sobre o tipo de roupa que ela veste? Você me odeia porque eu sou séria? Porque eu não te digo bom dia às sete da manhã? Eu não sou obrigada a sorrir às 7 da manhã, de mau humor, com sono. Eu não sou obrigada a amar a Licenciatura só porque todo mundo ama, eu não sou obrigada a fazer piqueniques sem fome e acho que ao não amar fazer essas coisas eu não estou ferindo a integridade, a saúde, ou qualquer coisa de alguém além de mim mesma. Quantas vezes você veio falar comigo ou me cumprimentar às sete da manhã? Quantas vezes você parou pra conversar comigo e realmente me conheceu? Nenhuma. E quem é que está julgando aqui? Sou eu? Há algo de profundo nisso? Há maturidade? Eu não estou julgando ninguém, eu estou falando do que eu vejo e do que ouço. Não sou a pessoa mais sábia e vivida do mundo, e essa é uma das minhas maiores certezas, mas aposto que não é a sua. É muito fácil errar e muito difícil reconhecer os próprios erros. As coisas estão tão na merda que durante uma hora e meia todos se reúnem pra comentar sobre as sociedades indígenas ou as favelas. Não, temos que respeitar a diversidade cultural do outro, olhar antropológico, relativizar costumes. Todos se respeitam e não há espaço para pré-conceitos. Depois dessa uma hora e meia, as pessoas voltam ao normal, fumam na varanda e comentam sobre como fulaninha tem cara de cu. “Oh, eu quero que ela se foda, fica me olhando com aquela cara de metida.” Cara, quantas vezes você se olha no espelho por dia e não percebe que seu rosto ficou petrificado numa constante cara de cu? Você finge que está apertando uns botões no celular pra não falar com as pessoas e eu que sou escrota? Bem, talvez eu seja, os semelhantes se reconhecem. Será que você está imaginando cus por todos os lados ou é verdade? Pra que assistir documentários sobre outras sociedades como se nós fôssemos civilizados e eles não, quando nós não queremos ser civilizados? Todo mundo adora uma briga. Todo mundo ama odiar alguém, e essa é a verdade. Não seja hipócrita, porque eu não acredito. Não há motivo pra tanto palavrão, pra tanta raiva; nós gostamos das mesmas bandas, gostamos das mesmas roupas, temos senão todos, muitos interesses em comum. É simplesmente a velha rivalidadezinha de escola, e você quer ser melhor do que os outros mesmo. E se não for, por que você não diz qual é a verdade então? Eu não estou entendendo nada. Pensando agora sobre coisas ruins e pessoas malucas, eu consegui encontrar um ponto de fuga. Por mais que eu não diga, é com você que eu rio e que eu choro. É você que aguenta pacientemente as minhas crises depressivas, histéricas, revoltadas, estressadas, as tpms, as palhaçadas, e quando - enfim - eu me calo, você sorri e me pergunta se pode medarumbeijinho. Eu sempre estou sendo fria ou egoísta, “me deixe em casa e depois vá embora porque eu quero ficar sozinha”. Quando eu digo que você é um príncipe encantado, de verdade, talvez seja. Mas eu não vou dizer pro mundo inteiro o quanto eu amo o seu cheiro de neném que é homem, eu não vou dizer como o seu sorriso é lindo quando você acorda e como você me faz tão bem com tantos mimos e carinhos e todas as minhas vontades atendidas, porque eu não quero que as minhas amigas acabem se apaixonando por você, nem o resto do mundo. Eu sou egoísta. Você cuida de mim mas também é meu neném. E que se foda bem bonito quem acha que a gente é grude, é farsa, é novela das seis, é comercial de margarina, porque eles não sabem o que é isso e nunca vão saber. Você é o meu reflexo bom, a minha paz, e nenhum Young Folk, nenhuma tia, nenhuma vizinha, vai saber tudo o que está sendo dito pelo meu olhar pra você. Porque é só nosso. E de mais ninguém. Talvez eles tenham inveja da gente. Talvez eles sejam tão ingênuos. Tão ingênuos. Pensando agora em todas as coisas ruins que tem me acontecido, em todos os nãos, em todos os buraquinhos que fizeram no meu coração, eu lembro que tenho você tapando todos eles. E se você é o meu reflexo, eu poderia dizer que eu mesma me faço bem. Talvez. Mas eu prefiro acreditar que você é mais que isso, é algo mais, é o bom que eu não vejo em mim. Se as almas gêmeas ou coisas do gênero se complementam, então há coisas em você que não estão em mim mesmo. Porque é muito mais que isso.
Pensamentos vanitas.
A arte sempre é pessoal. Pode ser grito, pode ser demonstração das coisas alegres que te alegram, mas é pessoal. É você. É impossível você não gostar da arte que está fazendo, ou melhor, pode até não gostar de transmiti-la, mas no mínimo, acha que é necessário fazê-lo, seja pelo motivo que for.
I’m gathering new generation
Sobre aquele pessoal Young Folk
Eles se vestem com as roupas da moda compradas em brechó. O belo é o simples, o amassado, o rústico, muitas vezes usado e velho. Eles precisam parecer cool, mas sem parecer que eles querem sê-lo. O pessoal Young Folk quer mostrar que já nasceu com o bom gosto dentro de si, já que o gosto, para eles não se discute, porque o deles é o certo. Mas como o pessoal Young Folk é um grupo seleto da nossa sociedade, nem todos podem participar de seus rituais e claro, terem sua aceitação. Se você tentar ser um dos Young Folks e eles não estarem interessados em você, corres o sério risco de passar por poser e idiota. Você não escolhe os Young Folks. Eles escolhem você. Essa escolha depende de variados fatores, como por exemplo, a sua origem social, seu status econômico e principalmente, se você tiver algo mais considerado como cool, como por exemplo…seu olhar de desdém para com os outros que não fazem parte desse grupo. O pessoal Young Folk se considera a nata da sociedade, porém, não admite isso para ninguém. Envolvidos sobre uma falsa aura de humildade, de “eu não sou melhor que ninguém”, ditam modas e valores,como quem não quer nada, e não se furtam de falar mal sobre pessoas que eles não considerem bem vestidas ou que mantenham atitudes diferentes das suas. O terror dos Young Folks é a imaturidade; desta eles fogem como o diabo da cruz. Buscam sempre fazer coisas muito maduras e de adultos -já que eles o são -, como beber muito nas festas e ficar se gabando no dia seguinte com os amigos que também beberam “Cara, bebi muito ontem, foi muito louco”, fumar em locais abertos, pois é coisa de jovens pseudo-punks transgredir as regras e fumar em locais fechados, ser bissexual, ter amigos “influentes”, como tatuadores, Dj’s, promoters de festas e de eventos de moda, modelos, estilistas, ou simplesmente pessoas que eles considerem bonitas. Mas não pense que essa tribo é superficial ou artificial. Eles escutam muitas bandas underground da Europa e da Argentina. |